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Textos
LEMBRANÇAS DE NATAL: ALEGRIA, ESPERANÇA…E SAUDADE Semanas para o Natal. Pulam, em nossos corações, Alegrias, esperanças, Saudades... Alegrias em Estripulias Das muitas crianças Em danças, Risos e tranças Mais coloridas Que bolas e luzes. Esperanças nas alegrias Que cantam & festejam Juntos , conosco, em ramas E tramas de futuros, ao som de guizos, bolas e guirlandas floridas ao pé do pinheirinho. Saudades de vozes Em canções antigas, Quase todas muito tristes, Entoadas na mais pura Alegria por paz sentida, Sob galhos de um pinheiro, Aceso de velas E antigos enfeites, Recheados de moléculas De outros tantos Natais! Aromas de cravo, Canela e açúcar, Por trás daquela porta De onde espia Vovó… Saudades dos que partiram, E permanecem Em nossas almas… Saudades da alegria, A suplantar tormentas, Porque, afinal, Era Natal… Ilram Quero homenagear a lembrança de nossos amados e amadas que se foram, em seu passeio pelo Céu, e que estão, eternamente, conosco a guiar nossos passos para que possamos, também, permanecer e encher de boas lembranças aqueles a quem muito amamos. Que Deus nos abençoe e guarde! Minha homenagem fica mais explícita em dois de meus poemas favoritos de Lya Luft, publicados em Zero Hora, em 2003. Espero que gostem. Um beijo no coração, Ilram Dois antigos poemas para um pai
1.
Quando eu era menina
minha mãe tocava piano
e a árvore de Natal girava
em sua pinha de ferro batido.
Eu cochilava no colo de meu pai:
dentro do peito dele pulsava
a máquina da vida que nunca se cala .
(Mas uma coisa escura e sorrateira
fazia rumor fora da casa:
era o destino chegando
passo a passo, e eu não sabia.)
Junto ao coração de meu pai,
ao ritmo da música do sangue,
meu coração também estremecia:
a faca cortando a minha alma
era pressentir que as águas do mundo
inundariam o tempo e o espaço,
e seríamos um dia os rostos naufragados
de um velho retrato numa mala.
2.
Meu pai plantou um Álamo
no meu jardim.
Antes de morrer ainda podou seus ramos,
e desde então seus dedos se multiplicaram
e sua voz se perpetuou em folhas
que farfalhavam depois de cada inverno
- como faziam em nossa velha casa.
E quando o vento perpassava
os altos ramos do álamo generoso,
a dor recolhia suas asas
e meu pai falava comigo.
Assim ainda trilhamos juntos
o caminho das memórias,
onde nada se perde mas floresce:
e se reconcilia o meu coração
com a sua morte.
lya.luft@zerohora.com.b
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Ilram Rekrem |
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Publicado em 10/12/2009 às 11h47
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